Metro tira descanso aos moradores de Almada

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Petição online expõe problema e BE questiona governo sobre ruído provocado pelo metro


ADN NOTÍCIAS

Alguns moradores de Almada, perderam o sossego com a passagem do Metro Sul do Tejo. Queixam-se do ruído causado pelo ranger dos comboios nos carris e pelas buzinas usadas pelos maquinistas. Há uma petição na internet, que já conta com 1167 assinaturas, que pede uma solução ao Parlamento. Os munícipes referem que o Metro Sul do Tejo “não respeita os níveis de ruído em determinados percursos que atravessam zonas de maior constrangimento urbanístico”. As zonas em questão mais afectadas são a Avenida 25 de Abril em Cacilhas e a zona da Ramalha onde inúmeros moradores se queixam que é “um caos o ruído e a vibração que se faz sentir dentro de suas casas e no ambiente exterior”. Após a denúncia, o Bloco de Esquerda questionou os Ministérios das Infraestruturas e Ambiente sobre este problema e levou a questão a reunião pública da Câmara de Almada. Inês de Medeiros, presidente do município, informou que a autarquia já “procurou esclarecimentos junto da administração da Metro transportes do Sul e do Instituto de Mobilidade e Transportes e não obteve qualquer resposta”. No ano passado, a concessionária do metro assegurou que está a cumprir a Declaração de Impacto Ambiental, embora lamente o incómodo provocado pelo ruído criado pela passagem dos comboios em algumas zonas da cidade.

O barulho numa rua próxima do centro de Almada é tal que a maioria das cerca das 125 famílias que ali residem já optou por colocar vidros duplos nas janelas. Muitas também decidiram pôr a casa à venda.
Os moradores lembram que tudo foi feito para evitar que o Metro passasse naquela zona, incluindo a apresentação de um plano alternativo, um morador recorda que “durante a noite o silêncio torna o barulho ensurdecedor. Conheço pessoas que nos primeiros tempos não foram capazes de aqui permanecer por causa do barulho”. Outro morador sublinha que “o metro veio incomodar o sossego das pessoas”, devido ao tocar das campainhas e ao simples passar das composições pelos carris, que se torna mais forte nas curvas existentes nas extremidades da rua.
O descanso para estes moradores dura apenas três horas, entre as duas e as cinco da manhã, período em que os comboios não circulam entre Cacilhas e a Universidade, a única linha do Metro Sul do Tejo – projecto que custou 390 milhões de euros – que passa pelo meio de bairros de Almada.
No seguimento de inúmeras queixas sobre o ruído provocado pela passagem das composições do Metro Sul do Tejo, com relatos do incómodo que a vibração e o ruído provocam dentro das habitações que se encontram junto do eixo do metro e no espaço exterior circundante, e da petição pública dirigida à Assembleia da República descrevendo “uma situação insustentável, mesmo após várias queixas junto da empresa Metro Transportes do Sul e resposta dos mesmos que iriam envidar esforços no sentido de reduzir os impactos do ruído e vibração proveniente dos seus serviços, nada foi feito”, o Bloco de Esquerda questionou os Ministérios das Infraestruturas e Ambiente sobre este problema.
“Atendendo que o horário de funcionamento dos serviços do metro tem início às 5h30 e termina às 2h30, o intervalo de silêncio total é de apenas três horas, o que tem consequências preocupantes durante o período de descanso da grande maioria dos munícipes”, diz à ADN-Agência de Notícias, o Bloco de Esquerda.
A vereadora do BE, Joana Mortágua, em reunião da Câmara de Almada questionou o executivo almadense sobre este problema. A presidente de Câmara, Inês de Medeiros, informou que a autarquia já procurou esclarecimentos junto da administração da Metro transportes do Sul e do Instituto de Mobilidade e Transportes e “não obteve qualquer resposta”.
Para Joana Mortágua, este é um “problema importante que afeta a qualidade de vida dos cidadãos. Não é aceitável que a empresa concessionária de um serviço público de transportes e a entidade responsável pela fiscalização não tomem medidas para resolver o problema, ou pelo menos esclareçam a população sobre a causa do ruído”.
O Bloco de Esquerda exige saber que “medidas serão adotadas pela tutela para garantir que as autarquias e populações serão devidamente esclarecidas sobre a origem do ruído e vibração causados pelo Metro Sul do Tejo”, e que medidas “serão adotadas para mitigar os efeitos negativos da passagem das composições do metro na qualidade de vida das populações”.

Moradores sem sossego
Sentindo-se lesados no seu bem-estar, os moradores referem que a “cidade foi servida com mobilidade mas também com uma ferrovia de grande carga industrial que não respeita o bem-estar dos moradores e o meio-ambiente com poluição sonora e vibração permanente. A Metro Transportes do Sul deve servir e respeitar os direitos dos munícipes, quer do ponto de vista habitacional ou na fruição do espaço público”.
Apontam criticas ainda aos maquinistas que acusam de não se “preocuparem com os moradores” e deslocam-se a “velocidades sempre superiores a 30km – limite imposto segundo o código de estrada em vários troços da cidade. Em zonas de maior declive e em pavimentos empedrados (estado de conservação duvidoso – desagregamento continuado) o ruído e a vibração são mais notórios”, dizem os moradores.
De acordo com a Legislação, as zonas mistas que tenham actividades ruidosas permanentes devem respeitar os critérios de exposição máxima e de incomodidade. As infra-estruturas de transporte têm de respeitar o critério de exposição máxima em áreas consideradas como sensíveis: as habitações não podem ficar expostas ao ruído ambiente exterior superior a 55 dB no período diurno e 45 dB no período nocturno.

Relatório feito no ano passado diz que “está tudo bem”
Os moradores da Rua Lopes Mendonça apresentaram no início do ano passado uma queixa à Inspecção-Geral do Ambiente e Ordenamento do Território, que originou a realização de uma inspecção.
O relatório reconhece que em alguns dos locais monitorizados os níveis de ruído ultrapassam o estabelecido por lei, mas frisa que a situação ocorre mesmo quando o metro não está a circular, devendo-se ao trânsito rodoviário.
A Inspecção-Geral do Ambiente e Ordenamento do Território conclui assim que a actividade normal do metro “cumpre os requisitos legais aplicáveis a ruído”, tendo em conta que quando os limites são ultrapassados “também o são na ausência do tráfego ferroviário”.
Sobre a utilização de buzinas, o documento lembra que é “obrigatório o toque da campainha dos veículos quando duas composições se cruzam, de modo que os transeuntes sejam avisados da existência de um comboio encoberto”.
Na altura, estes resultados não satisfez os moradores que contestaram o relatório. “Eu já aqui moro há 20 anos e sei bem o barulho que faziam os carros. O metro faz muito mais”, garante um morador, dizendo preferir ter duas faixas de trânsito automóvel em cada sentido do que o metro à sua porta.
A concessionária Metro Transportes do Sul assegurou no ano passado, por seu lado, que está a cumprir a Declaração de Impacto Ambiental, embora lamente o incómodo provocado pelo ruído criado pela passagem dos comboios em algumas zonas da cidade.
“É legítimo que se possam incomodar. É uma rua [Lopes Mendonça] relativamente estreita em que há uma proximidade grande entre a via e as fachadas das casas”, declarou ma altura o presidente da Metro Sul do Tejo, José Luís Brandão, revelando, porém, que “não há muito a fazer”.
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