Gonçalo Frota 28 de Maio
Mesmo no cenário de incerteza da pandemia, a 37.ª edição do mais importante festival de teatro do país irá para a frente, de 3 a 26 de Julho. A decisão foi tomada depois de consultados os seus fiéis espectadores. A uma programação maioritariamente portuguesa, juntar-se-ão dois ou três espectáculos além-fronteiras.
A decisão foi tomada na quarta-feira, após o anúncio das regras oficiais para a reabertura das salas de espectáculos, mas o diagnóstico estava feito desde meados de Abril. No pico da pandemia da covid-19 em Portugal, Rodrigo Francisco e a equipa da Companhia de Teatro de Almada (CTA) contactaram telefonicamente os fiéis espectadores do mais importante festival de teatro do país e a conclusão foi clara: se o Festival de Almada avançasse, a maioria do público não ficaria em casa. “Mais de metade dos nossos espectadores disse-nos que queria que houvesse festival e que, havendo, compraria a assinatura e viria”, conta o director artístico do evento e da CTA ao PÚBLICO.
Assim sendo, entre 3 e 26 de Julho, o Festival de Almada avançará com a sua 37.ª edição, num ano em que, devido às naturais limitações decorrentes da pandemia, a programação incidirá sobretudo em criações nacionais. Por causa das dificuldades de circulação internacional ainda em vigor, claro, mas também, confirma Rodrigo Francisco, enquanto medida de apoio ao frágil e precário tecido teatral português. “Tenho falado com alguns criadores e tem sido bastante dramático”, confessa. “Essa também foi uma das razões que nos fez insistir em fazer o festival este ano.”
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